Sim, varizes doem — e a intensidade varia bastante de pessoa para pessoa. Algumas sentem apenas peso nas pernas ao final do dia, enquanto outras enfrentam dor intensa, queimação e até câimbras noturnas. O que muita gente não sabe é que esses sintomas sinalizam um problema vascular que pode evoluir para complicações sérias se não for tratado adequadamente. Reconhecer os sinais de alerta e procurar um angiologista no momento certo faz toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida.
As varizes são veias dilatadas e tortuosas que aparecem principalmente nas pernas e refletem uma dificuldade do sangue retornar ao coração. Essa condição atinge milhões de pessoas e, embora muitos ainda encarem o problema como puramente estético, os sintomas físicos podem ser bastante limitantes. Dor, sensação de cansaço nas pernas, inchaço e formigamento são sinais de que o sistema venoso não está funcionando como deveria — e cada um desses sintomas merece atenção.
Por que varizes doem e como essa dor se manifesta
A dor causada pelas varizes acontece porque o sangue fica represado nas veias das pernas, gerando pressão extra nas paredes dos vasos. Essa pressão acumulada inflama os tecidos ao redor, provoca desconforto e, em alguns casos, causa dor latejante ou em fisgada. A intensidade costuma piorar ao longo do dia, especialmente para quem passa muito tempo em pé ou sentado na mesma posição.
Além da dor localizada nas veias dilatadas, muitas pessoas relatam sensação de peso e fadiga nas pernas, como se estivessem carregando um peso extra. Esse sintoma aparece porque o sangue venoso não consegue circular adequadamente, sobrecarregando músculos e articulações. À noite, é comum que a dor se intensifique, acompanhada de câimbras e uma necessidade quase incontrolável de movimentar as pernas para aliviar o incômodo.
Outro aspecto importante é a queimação ou sensação de calor ao longo das veias afetadas. Esse sintoma indica processo inflamatório nos vasos e geralmente piora com exposição ao calor, banhos muito quentes ou após exercícios físicos intensos. Quando a queimação vem acompanhada de vermelhidão ou aumento da temperatura local, pode sinalizar complicações como flebite, que exige avaliação médica imediata.
Sintomas além da dor que pedem avaliação angiológica
Varizes não se resumem à dor e às veias visíveis na superfície da pele. Diversos outros sintomas indicam comprometimento vascular e devem ser investigados por um angiologista. O inchaço persistente nas pernas e tornozelos, principalmente ao final do dia, é um desses sinais. Quando o edema não melhora com repouso ou elevação das pernas, indica que o sistema de drenagem venosa está comprometido.
A coceira intensa nas pernas, especialmente ao redor das veias dilatadas, é outro sintoma frequente e muitas vezes ignorado. Essa coceira acontece porque a má circulação prejudica a oxigenação da pele, deixando-a ressecada e irritada. Coçar pode piorar o quadro, causar feridas e até levar ao desenvolvimento de manchas escuras na pele — sinal de que o problema vascular já está em estágio mais avançado.
Alterações na coloração da pele também merecem atenção. Manchas amarronzadas ou arroxeadas nas pernas, principalmente próximo aos tornozelos, indicam que o sangue está vazando dos vasos para os tecidos adjacentes. Esse extravasamento pode evoluir para dermatite ocre e, em casos graves, para úlceras varicosas — feridas abertas de difícil cicatrização que comprometem significativamente a mobilidade e a qualidade de vida.
Formigamento e sensação de agulhadas
O formigamento constante ou sensação de agulhadas nas pernas pode ser confundido com problemas neurológicos, mas frequentemente está relacionado à circulação venosa comprometida. Quando as veias não conseguem drenar o sangue adequadamente, a pressão aumenta e comprime nervos periféricos, gerando parestesia — aquela sensação de dormência e formigamento que incomoda principalmente ao se levantar depois de ficar muito tempo sentado.
Esses sintomas costumam melhorar temporariamente com movimentação, mas retornam assim que a pessoa volta à posição estática. Quando o formigamento vem acompanhado de dor, inchaço ou mudanças na cor da pele, a avaliação angiológica não deve ser adiada — o problema pode evoluir rapidamente e gerar complicações mais sérias.
Quando varizes doem e indicam urgência médica
Existem situações em que a dor causada pelas varizes exige atendimento médico imediato, pois pode sinalizar complicações graves como trombose venosa ou flebite aguda. Dor súbita e intensa em uma perna, acompanhada de inchaço, vermelhidão e calor local, é um desses casos. Esses sintomas podem indicar formação de coágulo dentro da veia, condição que precisa ser tratada rapidamente para evitar que o trombo se desloque para os pulmões — situação potencialmente fatal.
Outra situação de alerta é o sangramento espontâneo de uma variz. Embora menos comum, pode acontecer quando a parede da veia está muito fragilizada. O sangramento costuma ser abundante e assusta, mas a primeira atitude deve ser elevar a perna, fazer compressão local com um pano limpo e procurar atendimento médico sem demora. Nunca use torniquete nem tente estancar o sangramento com substâncias caseiras.
Feridas que não cicatrizam nas pernas, mesmo com cuidados básicos de higiene e curativos, também exigem avaliação urgente. As úlceras varicosas aparecem geralmente próximo aos tornozelos, têm bordas irregulares e podem liberar secreção. Além de dolorosas, essas feridas representam risco de infecção grave e precisam de tratamento especializado, que muitas vezes envolve controle da insuficiência venosa antes mesmo de cuidar da lesão em si.
Fatores que intensificam a dor das varizes
Alguns fatores do dia a dia pioram significativamente os sintomas de quem já tem varizes. Ficar muito tempo em pé ou sentado sem movimentar as pernas dificulta o retorno venoso e aumenta a pressão dentro dos vasos, intensificando dor, inchaço e sensação de peso. Profissões que exigem longas horas na mesma posição — como vendedores, professores, cabeleireiros ou pessoas que trabalham em escritórios — apresentam maior tendência ao agravamento dos sintomas.
O calor excessivo também é um vilão. Altas temperaturas provocam vasodilatação, ou seja, as veias se alargam ainda mais e ficam menos eficientes em bombear o sangue de volta ao coração. Por isso, muitas pessoas sentem piora dos sintomas no verão ou após banhos muito quentes. Até mesmo a depilação com cera quente pode desencadear desconforto temporário em quem tem predisposição a varizes.
Ganho de peso e sedentarismo agravam o quadro de forma importante. O peso extra sobrecarrega as veias das pernas, enquanto a falta de atividade física enfraquece a musculatura da panturrilha — que funciona como uma bomba natural para impulsionar o sangue venoso de volta ao coração. Obesidade, aliás, é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e progressão das varizes.
Gravidez e oscilações hormonais
Durante a gravidez, muitas mulheres desenvolvem varizes pela primeira vez ou notam piora das que já existiam. O aumento do volume sanguíneo, a pressão do útero sobre as veias da pelve e as alterações hormonais — especialmente os níveis elevados de progesterona — deixam as paredes venosas mais relaxadas e propensas à dilatação. Embora muitas varizes melhorem após o parto, algumas se tornam permanentes, especialmente se a mulher tiver histórico familiar da condição.
Anticoncepcionais hormonais e terapia de reposição hormonal também podem influenciar o aparecimento ou agravamento das varizes, já que os hormônios afetam a elasticidade das veias. Mulheres que usam esses medicamentos e notam surgimento de varizes, aumento da dor ou outros sintomas vasculares devem conversar com o médico sobre a necessidade de avaliação angiológica.
Como a avaliação angiológica identifica o problema
A consulta com o angiologista começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, histórico familiar, hábitos de vida e condições de saúde pré-existentes. O médico examina as pernas em diferentes posições — em pé, sentado e deitado — para avaliar a extensão das veias dilatadas, verificar presença de edema, alterações de pele e outros sinais que ajudam a determinar a gravidade do quadro.
O principal exame complementar é o ultrassom com Doppler, que permite visualizar o fluxo sanguíneo dentro das veias, identificar refluxos, medir o calibre dos vasos e detectar a presença de obstruções ou coágulos. Esse exame é totalmente indolor, não invasivo e fornece informações precisas sobre a condição do sistema venoso, orientando o tratamento mais adequado para cada caso.
Com base nos resultados da avaliação clínica e do ultrassom, o angiologista classifica as varizes em diferentes graus de severidade e propõe o tratamento mais indicado. Nos estágios iniciais, mudanças de estilo de vida, uso de meias de compressão e medicamentos venotônicos podem ser suficientes. Casos mais avançados podem exigir procedimentos como escleroterapia, laser ou cirurgia — e quanto antes o problema for diagnosticado, menos invasivo tende a ser o tratamento.
Tratamentos disponíveis e o papel do acompanhamento regular
O tratamento das varizes varia conforme a gravidade do quadro e os sintomas apresentados. Para varizes iniciais e vasinhos, a escleroterapia — aplicação de substância que fecha a veia doente — costuma ser eficaz e rápida. Já as varizes de maior calibre podem requerer tratamentos a laser, radiofrequência ou cirurgia convencional, todos realizados com anestesia e período de recuperação relativamente curto.
Independentemente da técnica escolhida, o acompanhamento regular com o angiologista é fundamental para prevenir recidivas e monitorar a saúde vascular como um todo. Varizes não surgem do nada nem desaparecem sozinhas — são resultado de predisposição genética e hábitos de vida, e por isso exigem vigilância constante. Consultas periódicas permitem identificar novas veias comprometidas antes que gerem sintomas intensos ou complicações.
Além dos tratamentos específicos para as varizes, o angiologista orienta medidas de prevenção e controle que fazem toda a diferença no longo prazo. Atividade física regular, controle de peso, elevação das pernas ao final do dia, uso de meias elásticas quando indicado e hidratação adequada são estratégias simples que ajudam a manter a circulação saudável e a evitar que o problema evolua.
Perguntas frequentes sobre varizes e dor nas pernas
Varizes doem mesmo quando não são muito visíveis?
Sim, a dor e outros sintomas não dependem do tamanho ou da aparência das varizes. Muitas pessoas têm varizes internas ou de pequeno calibre que causam desconforto significativo, peso nas pernas e inchaço, mesmo sem veias dilatadas muito aparentes. O importante é avaliar os sintomas, não apenas o aspecto estético.
Qual a diferença entre varizes e vasinhos? Ambos doem?
Vasinhos são veias muito finas e superficiais, geralmente avermelhadas ou arroxeadas, e costumam ter mais impacto estético do que funcional. Já as varizes são veias maiores, dilatadas e tortuosas, que muitas vezes causam dor, peso e outros sintomas. Embora vasinhos raramente doam, em alguns casos podem gerar leve ardor ou coceira local.
Varizes podem desaparecer sozinhas ou com tratamentos caseiros?
Não. Uma vez que a veia está dilatada e com as válvulas comprometidas, ela não volta ao normal sozinha nem com receitas caseiras. Tratamentos naturais podem aliviar sintomas temporariamente, mas não resolvem a causa do problema. Apenas procedimentos médicos específicos conseguem tratar as varizes de forma eficaz e duradoura.
Usar meia de compressão resolve o problema das varizes?
As meias de compressão ajudam a aliviar sintomas como dor, inchaço e sensação de peso, melhorando o retorno venoso, mas não eliminam as varizes já existentes. Elas são muito úteis como parte do tratamento conservador e na prevenção de novas varizes, especialmente para quem passa muito tempo em pé ou tem predisposição genética.
Quando devo procurar um angiologista com urgência?
Procure atendimento imediato se sentir dor súbita e intensa em uma perna acompanhada de inchaço, vermelhidão e calor; se uma variz sangrar espontaneamente; se aparecer ferida que não cicatriza na perna; ou se notar mudança brusca na cor ou temperatura da perna. Esses sinais podem indicar complicações graves como trombose ou infecção.





